domingo, 23 de agosto de 2015

A crise por que passa a Igreja e a confiança na Providência Divina


por Pe Christian Bouchacourt

A respeito das provas da vida, e particularmente daquelas que a Igreja atravessa, é preciso que vivamos o tempo presente sem buscar nos adiantarmos à hora de Deus, sem forçar a Providência. Guardemos no fundo das nossas almas uma firme confiança nesse socorro que nunca nos faltará se nos comportarmos como bons filhos de Deus.

Voltemos a ler no Antigo Testamento o livro de Daniel, capítulo 13: Deus salva a vida da casta Susana e a recompensa por sua confiança justamente quando a situação parecia perdida por causa dos falsos testemunhos dos dois anciãos, que foram finalmente condenados no lugar dela. Consideremos a realização da promessa de Nosso Senhor que tinha anunciado aos Apóstolos e aos discípulos que enviaria “outro Consolador para que ficasse eternamente convosco, o Espírito de verdade (...) que vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”. E de fato o Espírito Santo veio no dia de Pentecostes.

Meditem também na oração que nos ensinou Nosso Senhor. Ele nos convida a pedir o pão de cada dia, “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, e não o que vamos a necessitar dentro de um mês ou de um ano. Pensemos também na promessa que fez aos que sofreriam por Ele: “Não estejais com cuidado de que modo respondereis ou que direis, porque o Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que deveis dizer”. O provérbio popular “antes da hora ainda não é a hora” se inspira nessa promessa. Assim sendo, guardemos a paz e nos mantenhamos longe das inquietudes que perturbam a alma e a afastam do essencial.

Um dia, então, quando soar a hora de Deus, Roma manifestará à FSSPX seu reconhecimento por sua fidelidade e se apoiará nela para reconstruir a cristandade. Para acelerar a chegada desse dia, permaneçamos firmes na fé, sem compromissos com os erros que pululam na Igreja. Cumpramos nosso dever de estado, façamos penitência, estudemos a nossa santa religião e tenhamos confiança como Nossa Senhora à espera da ressurreição do seu Filho no dia seguinte à Sexta-Feira Santa.

Terminarei estas considerações deixando-lhes esta oração composta por Madame Elizabeth, irmã do Rei Luís XVI. Sabendo que seria condenada pela Revolução por ódio à fé, ela se preparava para os acontecimentos trágicos que a esperavam. Morreu, de fato, na forca, depois de ter recitado cada dia esta oração que lhe foi de grande ajuda e que poderíamos fazer nossa: “Desconheço, Senhor, o que me acontecerá hoje. Tudo o que sei é que nada do que me acontecer virá sem que tenhais previsto desde toda a eternidade. Isso me basta, meu Deus, para estar tranquila. Adoro os vossos desígnios eternos e me submeto de todo o coração; quero tudo, aceito tudo, faço-vos o sacrifício de tudo. Uno este sacrifício ao de vosso amado Filho, meu Salvador, pedindo-vos, por seu Sagrado Coração e por seus méritos infinitos, a paciência diante dos males e a perfeita submissão que vos é devida em tudo o que desejais e permitis”.

Que Deus os abençoe!

Padre Christian Bouchacourt
Superior do Distrito da América do Sul da FSSPX

Trecho final do editorial da Revista Iesus Christus nº139

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